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Um dos fundadores da Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, hoje Faculdade de Medicina da UFMG, o médico, professor, sanitarista e pesquisador Samuel Libânio tornou-se um expoente da medicina nacional. Mais de três décadas após seu falecimento - ocorrido em 2 de setembro de 1969, no Rio de Janeiro - "o mestre", como era chamada por muitos, é lembrado por seus esforços em beneficio da comunidade.

Nascido em Pouso Alegre, em 29 de agosto de 1881, Samuel Libânio diplomou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, em 1905, e, aos 25 anos, foi atuar no norte do país, como chefe do Serviço de Higiene da Prefeitura de Alto Purus (AC), onde permaneceu ate 1908. De volta a Minas Gerais, em 1910, foi nomeado médico auxiliar da recém-criada Diretoria de Higiene, que deu origem à atual Secretaria de Estado da Saúde. No cargo, atuou na estruturação dos serviços de higiene no Estado e na instalação do Laboratório de Análises Químicas, além da implantação do serviço geral de desinfecção, da estatística demógrafo-sanitária e do Hospital de Isolamento.

Paralelo ao trabalho na Saúde Pública, Samuel Libânio manteve uma atividade acadêmica de destaque. Doutor com uma reconhecida tese sobre "Pneumonia Vera", no ano de 1911 realizou outro de seus grandes feitos: foi um dos fundadores da Faculdade Livre de Medicina de Belo Horizonte, assumindo a segunda cadeira de Clínica Médica.Posteriormente, foi titular da cadeira de doenças tropicais.

Seus alunos deixaram registros de que suas aulas eram muito agradáveis, sendo mais expositivas do que práticas, com diálogos amenos e sem grandes preocupações com a erudição, diferente do que como era comum na época.


O SANITARISTA
De sua fase como titular da Diretoria de Higiene, destaca-se seu trabalho durante a epidemia de "Gripe Espanhola", que atingiu de forma calamitosa a capital mineira a partir de 1918. Na ocasião, a Faculdade de Medicina transformou-se em hospital de emergência. Superada a epidemia, o diretor de Higiene do Estado voltou seus esforços para novos projetos, entre os quais, o Plano de Profilaxia e Saneamento Rural.
Com o apoio da fundação Rockfeller, protagonizou um grande movimento de profilaxia que contabilizou, entre seus resultados, a organização dos hospitais regionais de Pirapora, Patos de Minas, Viçosa, e Pouso Alegre. Sua atuação foi reconhecida nacionalmente e o governo da República nomeou-o para dirigir o Serviço Nacional de Tuberculose, em 1941, tendo, ainda, por duas vezes, ocupado o cargo de Secretário de Saúde e Assistência da cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.


O MÉDICO
Samuel Libânio foi paraninfo da turma de médicos formados em 1930, da qual fazia parte o escritor João Guimarães Rosa. Segue, abaixo, um pequeno trecho do discurso de Libânio, reproduzido por Ismael de Faria, em artigo para caderno especial do jornal Estado de Minas de 26 de novembro de 1981, data em que a Faculdade de Medicina da UFMG celebrou o centenário do professor:
"Meus queridos colegas. No compromisso que há pouco proferistes se acha resumida, em clássica e singela forma, todo o código de rigorosos preceitos que jurastes cumprir na vossa vida de apóstolos da ciências e da caridade. Nessas breves e elouquentes palavras se contém toda a maravilhosa synthese da moral médica. Por esse compromisso vos obrigaes ao exercício de virtudes que se não exigem do comum dos homens, e é mercê da prática de tais virtudes que se forma, em torno dos verdadeiros médicos, a atmosfera do carinhoso culto, que deve ser o mais cobiçado quinhão do apostolado(...) É junto ao leito dos doentes, no retiro dos lares aflictos, ahi onde não tendes outros juizes que não sejam Deus e as vossas consciências, e, na majestade dessas funcções que vestis a toga de uma magistratura quase divina!"


Samuel Libânio foi, ainda, fundador e diretor do Sanatório Belo Horizonte para tuberculosos, em 1929. Patrono da cadeira 41 da Academia Mineira de Medicina, foi eleito membro honorário da Academia Nacional de Medicina.


O HOMEM
Casado com Margarida Brandão, teve quatro filhos: Nelson, Rachel, Roberto e Maria Victória. No já citado caderno do jornal Estado de Minas (26/11/81). Pedro Salles assim o definiu:
"De porte elegante, sempre bem trajado, comedido na conversa, infeso a piadas e galhofas, muitos menos à maledicência, dir-se-ia qua ali estava mais um diplomata do que um médico.
É que não era um médico comum"


Fonte: Centro de memória da
Medicina da UFMG



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